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Historia
de Amor
Minha história de amor começou em outubro de 2003, uma paixão fulminante
por um pássaro - calopsita/fêmea, muito meiga, linda, de uma
cor canela maravilhosa que dei o nome de Giusepina. Chegou em
casa cambaleante, mal se sustentando nas perninhas, estreamos
a papinha com seringa, às vezes dava comida demais às vezes
de menos, mas estávamos aprendendo e no segundo dia, surpresa: ela
literalmente "corria pela casa". Ambientou-se com
todos e cativou a todos que mudou minha vida. Eu estava em período
de férias e foi por esse motivo que escolhi a data pra ficar
com o filhote, alimentá-lo e deixá-lo bem mansinho. No final
do mês eu voltaria a trabalhar e o filhote já estava comendo
sozinho, a papinha era dada somente à noite, como uma mamadeira
pra um neném. No último domingo daquele mês, dia 26, à tarde
de temperatura agradável, estávamos conversando com os vizinhos
e a Pina junto. Minha vizinha, jovem de 20 e poucos anos, numa
atitude de infantilidade pegou minha pequena Pina e levou pra
sua casa pra conhecer o papagaio. Sua mãe ainda avisou: não
coloque perto da gaiola que o papagaio é bravo, mas a jovem
não deu ouvidos e colocou minha pequena bem próximo à gaiola.
O papagaio, numa fração de segundo, de dentro da gaiola, puxou
minha pequena com as garras, e, numa bicada violenta
arrancou-lhe mais de 90% do bico superior... muita correria...
muito sangue. Nessa pequena cidade onde moro os veterinários
só cuidam de gatos e cachorros, nenhum especialista na área...
Levamos ao veterinário de plantão.... homem cruel... disse com
desprezo que os cuidados feitos por nós eram "sujos"
pois tentamos estancar a hemorragia com borra de café, ele fez
a limpeza e aplicou um anti-coagulante ao passo que perguntei
o que dar para dor, ele me disse cruelmente: eles não sentem
dor, dá o que você quiser... isso me revoltou profundamente.
Gostaria que ele levasse uma bicada no nariz e esse lhe fosse
arrancado do rosto pra ver se ele não sentiria dor... Na minha
ignorância e em contato com outras pessoas que possuem pássaros
apliquei uma gota de um analgésico infantil com o intuito de
diminuir a dor da minha pequena. Somente no dia seguinte consegui
uma consulta com um anjo, o veterinário Eduardo, numa cidade
próxima que ao pegar a Pina no colo, colocou-a no peito exclamando:
"quanta dor ela deve estar sentindo....". Não preciso
nem dizer o que senti... foi ele quem avaliou e disse que não
era somente o bico dela que estava machucado, também a traquéia,
os olhos, ouvidos e que era muito grave. Aplicou uma injeção,
prescreveu medicação à base de antibiótico e
antiinflamatório e me orientou a não estimular, a deixá-la aquecida
e tentar alimentar com papinha para filhotes. Dei os medicamentos
nos horários determinados, levantava à noite, de madrugada,
deixei minha pequena na minha cama ao meu lado e dediquei toda
atenção que ela pedia. Voltei na quarta feira pra nova aplicação
da injeção e o Eduardo surpreso disse-me: “Eu tinha certeza
que você não voltava, que ela não iria sobreviver... essa
menina é uma guerreira... muito forte”. Continuei com a medicação
e retornei ao consultório na sexta-feira para a última injeção...
Volto periodicamente, pra rever o Eduardo... E hoje ela
está aqui comigo, firme, forte... com deficiências, obvio, ou
melhor, com necessidades especiais... mas com muito amor. Tem
um machinho que a ama e já teve duas ninhadas, mas um dos filhotes
morreu com apenas 33 dias. Nasceu com um probleminha que não
conseguimos ajudar... Esta é minha história de amor e dedicação. |